sexta-feira, 19 de junho de 2015

Por que – e como – eu parei de fumar!

Postado por Camila Mumic às 20:02
Olá, pessoal! Esse é o primeiro post do blog e eu resolvi começar com um assunto sobre o qual tenho vontade de escrever há um tempo.  Quando eu resolvi parar de fumar, vasculhei a internet atrás de relatos que fossem além dos clássicos “é difícil, mas você vai conseguir”, “todas as fases da abstinência”, “10 dicas para parar de fumar” e não encontrei.

Então eu resolvi escrever como foi a minha experiência aqui, esperando que ela possa ajudar alguém que tenha tomado essa decisão tão importante, assim como eu tomei.

Em primeiro lugar, eu tenho que admitir que parar de fumar foi a coisa mais difícil que eu já fiz em toda a minha vida. Foi muito complicado lidar com todos os sintomas da abstinência, principalmente com os meus pensamentos. Mas eu consegui superar tudo isso porque eu realmente queria parar de fumar, e eu resolvi fazer essa mudança na minha vida por basicamente dois motivos:

  1.          O meu marido, Marcus, tem asma, e eu me sentia muito mal toda vez que expunha o coitado a uma coisa que piorava a condição de saúde dele. Ele nunca reclamou, mas eu me sentia muito mal. Além disso, eu li um artigo que falava sobre como a fumaça do cigarro pode fazer mal pros animais, e comecei a reparar que a minha cachorrinha Malu estava sempre comigo quando eu estava fumando, e comecei a perceber que eu podia estar fazendo mal pra ela também.
  2.            Eu comecei a sentir nojo do cigarro, justamente por conta do motivo 1. Eu me sentia escrava de uma coisa que eu já não queria pra minha vida.

Tomada a decisão, eu cortei o cigarro do dia para a noite. Eu marquei uma data pra parar de fumar, e naquela data não fumei. Eu fumava um maço por dia, então o choque foi muito grande. No primeiro dia até que não foi tão difícil. No segundo foi pior. E nos dias seguintes também. Eu só conseguia pensar em cigarro, eu não conseguia focar em nada mais. Eu não conseguia ler, não conseguia estudar, nem assistir a um filme, nem trabalhar. Aí eu resolvi utilizar os adesivos de nicotina e chicletes. E eles ajudaram – mas nem de longe me satisfizeram. Pra completar, eu tive uma reação alérgica aos adesivos e tive que parar de usar. E, assim, as duas primeiras semanas foram as piores.

Na terceira semana, eu alternava momentos de “normalidade” com momentos de fissura. E a fissura é a pior. Eu tomava água, chupava balas, fazia tudo que esses sites na internet dizem pra gente fazer, e nada adiantava. Eu acabava chorando, brigando com os meus pensamentos. E não conseguia dormir. Dormia muito mal, sentia falta de ar e parecia que nada ia fazer passar aquele suor, aquela tremedeira e a dor de cabeça. Eu tive uma coisa muito semelhante a um ataque de pânico no cinema, uma vez, mas nunca tive certeza do que foi aquilo porque fui tratada como um lixo no PA da Unimed, como se estivesse fazendo drama. Eu estava no cinema e comecei a sentir uma falta de ar sem tamanho e meu coração acelerado, e parecia que eu ia sufocar. Pensei que fosse morrer, foi horrível. Fui ao PA da Unimed, me deram um remédio pra ansiedade, nem perguntaram pelo que eu estava passando e me mandaram embora.

Depois, as coisas foram melhorando. Eu descobri uma balinha sem açúcar que me ajudava com a fissura. Eu fui ao médico, que me orientou a tomar Sertralina por um mês, e acho que isso ajudou também. Eu me lembro que, uns quatro meses depois que parei de fumar, eu passei um dia inteiro sem pensar em cigarro. Eu e meu marido estávamos indo pra casa à noite e eu pensei: “hoje não pensei em cigarro nenhuma vez, só agora”. Esse foi um momento muito legal, porque eu percebi que tinha conseguido vencer a briga com a minha própria cabeça, que vivia tentando me sabotar.

Se tem alguma coisa que eu posso dizer pra quem fuma e quer parar de fumar ou pra quem está passando por todas essas coisas, é que vai valer a pena. Eu me libertei. Eu nunca mais tive que me espremer embaixo de um toldo apertado num dia de chuva pra fumar. E isso não tem preço, porque agora eu sei que sou dona das minhas vontades, de verdade.

Não foi fácil, eu engordei (e não foi pouco), porque comecei a descontar a ansiedade na comida. Mas agora já emagreci tudo o que engordei com o cigarro e mais um pouco. E foi muito mais fácil emagrecer que parar de fumar. Então, se você quer parar de fumar, pensa que um dia você vai olhar pra trás e ver o quanto você foi forte. O processo não é fácil, mas com certeza vai fazer de você uma pessoa melhor.


Mil beijos!

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4 comentários:

Vania Mumic on 20 de junho de 2015 12:08 disse...

Tinha escrito um testamento e não postou. Então vou dizer somente o principal: te admiro muito menina forte e guerreira ♥

Graziele Vieira on 20 de junho de 2015 13:22 disse...

Depoimento sensacional, Camila!! Vou compartilhar com algumas amigas minhas <3

Camila Mumic on 20 de junho de 2015 14:51 disse...

Que bom que você gostou e obrigada pela ajuda, Grazi! <3

Dri on 28 de dezembro de 2015 22:49 disse...

Muito bom! Fumei durante 20 anos! Sofri demais quando parei!!! Precisei de muita força e vontade! Mas valeu a pena! Queria nunca ter fumado em minha vida!

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